segunda-feira, 3 de julho de 2017

Cultura erótica!



Everybody's got the fever
That is somethin' you all know
Fever isn't such a new thing
Fever started long time ago


Nos dias que correm chegou aos lugares de topo, a venda de romances eróticos, e a mais recente novidade, é Afonso Noite Luar

Todos os escritores do género, acabam por se repetir, afinal a inovação, as vezes só surge em alguns momentos, acabando por ser tudo associado unicamente ao acto em si, afinal o sexo vende sempre, seja em música, seja em pintura, ilustração, seja no que for.

Se poderia ser algo mais, claro que sim, mas o género fica-se unicamente por determinado encanto, e pouco mais, as toca a pseudo comédia romântica com o lado maroto ao rubro!

Mas a realidade as vezes é bem mais interessante do que a reprodução dos livros, que muita gente gira faz por aí! As vezes é só abrir a imaginação e partilhar a dois, haverá sempre alguém com capacidade de se deixar ir!

Como se diz

Everybody's got the fever
That is somethin' you all know
Fever isn't such a new thing
Fever started long time ago


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segunda-feira, 12 de junho de 2017

Não te amo!

Não te quero!

Não te quero,
Porque não fazes sentido!
Porque nunca tens tempo para mim!

Porque tudo é sempre importante,
E relego-me para segundo plano!

Não te quero,
Porque honestamente nem te amo!

Gosto da ideia de estar apaixonada contigo!
Não te amo!

E nem sei como dizer-te que não me enches!
Sabes o essencial de mim, e pouco mais!
Pouca exploração do universo
e muito foco na anatomia!

Nesta virtualidade de mundos,
tantas amizades coloridas juntas
criam um cinzento e mais tarde o negro,
que invade e se instala por algum tempo!

E é isso que ficou agora!
Um negro para reflectir sobre o arco-íris!
E tu não és um arco-íris!

Não te amo
Nem te quero!
A química que algum dia existiu
já se evaporou!
Só o olhar penetrante que se tornou bonacheirão!

As pessoas precisam de palavras,
e as tuas são poucas...

Nem uma poesia?
Nem um livro?
E como trocar mensagens contigo
se o que respondes fica tão aquém!

Não te amo
Nem te quero!
E como sinto pouco prazer em estar a teu lado!

Oh Céus! 
tão pouco prazer!

Não te amo
Nem te quero!
Nem te quero!
Não te amo!

Ficou o cinzento!

Nem te quero!

Nem te amo! 

Nem és aquele com quem quero investir o meu tempo!
Nem criar um futuro!

Não te amo
Nem te quero!
Nem te quero!
Nem te amo!

Não, não te amo!
Nem nunca te amei!

Como dizer-te?
Dizendo-te!

Não te amo
Nem te quero!
Nem te quero!
Nem te amo!

Não, não te amo!
Nem nunca te amei!

Não te amo!

domingo, 11 de junho de 2017

por hoje






Os filmes de hoje, entre o trabalho de amanha, ficam-se pelos dramas e pelos perdões, pelas segundas oportunidades que a vida dá, as vezes sem nunca vermos muito mais do que estes passos que damos, numa tentativa de compreender a vida!

As vezes a tristeza de um momento, que não acontece como gostaríamos e a possibilidade de o transformar em algo maior que o tempo, maior que a vida!

A procura indevida, e a projecção de um sonho por realizar na vida do outro, é um pouco o que cada um dos filmes trata.

Entre um fim de um drama de algo que não se fala, um tabu, que se representa pela vida de investimento a procura de um objectivo que num dado momento se desistiu. E simplesmente se deixa de fazer, contudo investe-se a vida no outro, para que o mesmo o faça por nós.

Nesta relação transgeracional, a liberdade de dizer ao outro para parar, para evitar de possuir a sua vida, e lhe dar um significado que não é o seu, é o desafio final!

E chegarmos ao fim com a sensação de cada dia é somente normal, dentro do que é possível.

E nesta fase fica a liberdade de podermos fazer as pazes com a vida!

São filmes simpáticos, que levam a reflexão do que é certo, quando a certeza em si, nem sequer existe.

Saboreia-se então os momentos da vida.

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sábado, 27 de maio de 2017

Filmes de fim de semana!!!








Crónicas de um fim de semana, na companhia de temas relevantes:

  1. O que farias se soubesses que a tua vida estaria perto do fim?
  2. Como viverias a velhice?
  3. Como poderias ser mais amável que o costume, quando pensas por ti?
  4. Como passarias o testemunho para a geração seguinte?
  5. Como ensinarias alguém a liderar?
  6. Como manterias a honra e a lealdade, quando todos os outros não o fariam?

Estes filmes falam disso!

E de muito mais!!!

E claro das respectivas perturbações mentais - POC - Perturbação Obsessiva Compulsiva!

Nos últimos filmes e livros, fica o registo: o amor tudo pode!!!!

A libertação do amor, como forma de travar o avançar da perturbação mental, como o resgate da inocência de um tempo que não para de avançar pela eternidade que se avizinha!

O amor tudo pode!!!


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sábado, 20 de maio de 2017

Estados de alma!

Como se organiza o dia a dia? 

Nem sempre percebemos como o fazer, olhamos para o mundo, a espera que nos faça sentido. Sentimos vezes sem conta que algo possa fazer sentido, enquanto procuramos um caminho! Exploramos nas relações, exploramos nos contactos profissionais, na criatividade de um dado momento, procuramos nas viagens que fazemos! Qualquer coisa que possa ser sinónimo de que há vida para além do que vivemos todos os dias! 

Procuramos o eu nos outros!!! E por norma não o encontramos, porque o eu, está em muitos momentos escondido. 

Na minha prática, vou vendo o eu a esconder-se por entre as várias esferas de uma vida, refugiando-se nos medos de um dado momento do desenvolvimento. 

Sem se encontrar, vamos passando por portos de abrigo, como um barco faz! Passa por vários portos, mas atraca somente no seu de origem!

Quando iniciamos o desenvolvimento humano, o EU cresce paralelamente com o bem estar promovido pelo dia a dia!

No dia a dia, também para além das emoções que sejam associadas a alegria, vamos vivendo outras, que passam a habitar a mente e o coração. O que vemos em regra geral associa-se as emoções que sentimos, e quando algo é deverás intenso, origina complexidade, levando ao EU refugiar-se nas suas teias, para se proteger.

Em alguns momentos ele consegue sair! Noutros vai ficando por lá para se proteger, saindo pontualmente, mas não o suficientemente desenvolvido e maduro, fazendo que o resto cresça, contudo com inúmeras lacunas.

Posteriormente em vários momentos de maior stress, ele lá sai, mas nem sempre com capacidade de conseguir gerir as suas emoções, acabando por levar ao desajustamento humano nas diferentes áreas da sua vida.

O que procurarmos posteriormente nos outros corresponde em muitos momentos, ao nosso lado mais maduro, contudo se o EU não cresceu, é normal não se conseguir encontrar no outro.

E o que vamos fazendo, corresponde a muitas vezes a uma percepção de rejeição, tendo em conta que não nos reconhecemos nem em nós nem nos outros, porque afinal não nos conhecemos de todo.

Contudo surgem as perguntas, como podemos rejeitar alguém que não conhecemos?

E a vida transforma-se em algo mais profundo e mais consistente, e nesses momentos, o EU, que vai surgindo desadequadamente vai-se criando de forma inconstante e inconsciente situações que provoquem o seu crescimento.

Nestes momentos, o EU em muitas situações felizes, procura ajuda!

É quando chegam até aos gabinetes, com a potencialidade de crescimento, contudo sem perceberem o que aconteceu, tendo em conta que fizeram o que era suposto acontecer, fosse bom ou mau!

É o momento em que percebemos que temos humanos e não maquinas, que seguem os procedimentos, contudo parte da terapia passa pela validação dos procedimentos, para falarmos do crescimento humano!

Afinal seguimos padrões e adoramos padrões!!!



domingo, 14 de maio de 2017

Escolhe-se um piano como se escolhe um amor!

A escolha de um piano é como a escolha de um amor!

As vezes é preferível esperar que agarrar a primeira oferta, contudo após um ano de tocar num piano vertical, chega ao ponto essencial de crescer, e treinar todos os dias!

Porque as notas, necessitam de serem praticadas com regularidade, não se pode ficar somente na vez por semana, é como o amor! Precisa de ser praticado com regularidade para se sentir que cresce a cada dia!

E de um momento para o outro assumimos o compromisso, ou deixamos para trás a música ou assumimos o compromisso para a vida!

E eu só sei assumir compromissos, com a vida, com a música, com tudo! 

...

E surge aquele piano que nos fascina, paralelamente que nos desafia! 



Yamaha P 45 Black e sabemos que vamos ter uma relação para todo o sempre!

86 teclas

Todas as notas que vão ser tocadas, numa relação de amor, carinho amizade e profunda agressividade, e paixão à mistura!

E a dimensão de todas as notas com os sustenidos, colcheias e tempos, paralelamente as pautas que teimam em organizar a mente com os movimentos de umas mãos aparentemente relaxadas, contudo constantemente tensas, levando a várias dores pelos braços acima. 

Atingem o coração, contudo para se atingir alguma plenitude no tocar, somente lendo uma pauta, é necessário o continuar a tocar, passando todas as dores, passando todas as contrariedades, promovendo a vida, em função de tudo o resto! 

A vida é mais, sempre algo entre o grotesco e o divino! E o amor acompanha a sensibilidade da comparação absurda com o paixão, que se desenvolve-se a um piano!

E a vida acontece por entre as gotas da chuva! 

E hoje apaixonei-me!!! E não se consegue falar-se da paixão que se tem por algo que nos acompanhará por muito tempo!!! Muito mesmo!

E a vida é isto!
Só por hoje!!!

domingo, 7 de maio de 2017

Resposta ao teu poema!

Vejo-te, como sempre te vi!
Por entre um riso delirante de uma descoberta artística!

Olhar pela janela do telhado e ver o Tejo ao fundo, 
e saber que aqueles momentos de silêncios partilhados, são nossos! 

O tempo dessas memórias, 
de um passado ausente, 
e um amanha perdido,
que nos rouba o riso de um momento que já partiu!

O tempo, esse companheiro sinistro que nos embala quando sentimos amor, 
colocando sempre a doce sensação de que ele para! 
Para de seguida, avançar com vertiginosamente,
sem que consigamos respirar, e colocando-nos no limite da nossa capacidade de resistir!

Resistir ao que tivemos, e 
sentindo que aquilo foi somente um momento parado no tempo, 
que se cristalizou numa memória perdida 
por quimeras ousadas do labirinto da mente!

Tenho saudades dos momentos dos risos, 
dos olhares de cumplicidade, 
tenho saudade de ti!
Mas não te tenho aqui!

Vejo-te por entre as pessoas, nesta imensidão de tempo, 
neste purgatório que se colocou a minha vida! 

Quero gritar, mas fica aquele sufoco na garganta 
e não sai, nem um som!

As lágrimas correm face abaixo!
E lembro-me de ti! 
Lembro do teu nome, 
Sagrado 
Imune 
Imenso
como o Oceano!

Distante, ousado, perdido!
Este tempo que não te leva, 
e me prende aqui! 

Leio o teu poema, 
e respondo secretamente 
por entre palavras perdidas 
para um vento que teima em  leva-las para ti!

Eu sei tudo 
eu perco o controle 
sobre este impasse no tempo!

Tempo, tempo, tempo, 
somente para nos afastar o que sentimos!

Como posso viver assim?
Como a vida é somente isto?
Eu sei tudo!
Eu perco o controle 
deste tempo que passa por nós!

E como tu, 
refugiu-me nos limites da mente,
para criar uma ponte para ti!

Para te ver!
Somente para te ver!

...


Um beijinho grande Teresa!!!! ;)

Por hoje!

sábado, 6 de maio de 2017

For today - Simple song - Sumi Jo


"I know everything
I lose all control
I get a chill
I know all those lonely nights

I die
I hear all that is left to be heard
I wish you would never stop
I've got a feeling"

Quando uma obra ao acaso nos abre a alma fechada!

Há obras e obras, e nos últimos tempos, muitos são os filmes vistos, nem todos tocam, contudo existem obras que pela sua simplicidade, pela dimensão dramática da vida numa grande tela de cinema, nos coloca par a par com as nossas dores mais escondidas.

Os votos de confiança nas amizades de anos, que nos levam a certeza de que temos um caminho juntos com alguém que percorre por momentos a nossa jornada!

E no filme como na vida, surge a beleza do tema do amor e o envelhecer, o viver para além dos grandes amores, que por alguma doença ficam confinados e presos no seu próprio corpo, algures entre uma demência e a catatonia, o ficar abandonado num local a espera que eventualmente haja uma partida no próximo comboio da estação da vida!

A magia deste filme, e outros do género, é não ter qualquer magia, simplesmente falar das coisas que as pessoas vivem no dia a dia, e coloca-las numa tela. 

A música dos vários momentos, ajuda a dimensão emocional entrar em cada instante, e tornar mais humano uma representação para uma câmara. 

Não sabemos muito bem o que segue e para onde segue, simplesmente seguimos. 

E no final somos agarrados pela última música! E todas as defesas caem!

Uma obra que cria um impacto pela música! 









segunda-feira, 24 de abril de 2017

Conto - os sons dos sinos

Esta é uma história simples, como uma fábula! Existe momentos de tristeza e existe momentos de alegria e cor!

Numa estrada para o monte, seguia a pé uma mulher velha, com o seu lenço na cabeça, o seu olhar semi-fechado, era por volta do meio dia, ainda não havia tocado os sinos.

Os sinos da aldeia tocavam certeiros às doze horas, para avisar a todos o aproximar da hora do almoço. 

O sol já ia alto, o calor pelo vale já era elevado, e lá ia a mulher velha pelo deserto! 

A aldeia lá ao longe, parecia uma miragem branca no meio dos campos verdes. A poucos metros da entrada, tocaram os sinos. Doze badaladas certeiras e que ecoavam por todo o vale. 

Chegou a mercearia, escura como um bréu, entrou em silêncio, na conversa animada que surgia por entre portas, com o dono e as vizinhas beatas. Conversavam sobre as casas que iam ficando vazias por toda a aldeia.

O merceeiro, homem robusto de bigode farto, dava conversa, afinal os clientes escasseavam todos os dias, e havia que alimentar a curiosidade das suas clientes com conversas ocas. 

A mulher velha, continuava em silêncio, escolhia os produtos que não conseguia fazer na sua horta caseira. No seu saco de pano colocou o 2kg de arroz, uma garrafa de óleo, uma de azeite. Levou algumas latas de atum. Sentia falta do atum e do peixe em geral. 

Estava a mais de 40 anos, naquele vale, não tinha nascido lá. Tinha nascido a beira mar, seu pai era pescador casado com a professora primária. 

Casamento improvável, pertenciam a classes diferentes, mas cheio de amor, tinha decidido que se um dia houvesse alguém seria somente por amor. 

Voltou a mercearia, agarrou alguns pacotes de massa em silêncio, faltava somente mais o tabaco e poderia sair daquela local. Nunca em quarenta anos, havia gostado daquela mercearia, somente suportado. 

Quando chegou ao vale, reinava o silêncio, por entre as colinas, o vento fazia eco. Numa das colinas, escondida, passava um riacho límpido, com um bosque ao seu redor. Foi onde acabou por parar para descansar, depois de mais de 15 horas na carrinha das mudanças. 

Vinha com o seu companheiro, um homem maduro, que havia passado pela sua terra, e ficado por três anos. Por entre serões filosóficos, fins de tarde a beira mar, matinés de cinemas e bailes, iam conhecendo, entre os sorrisos cúmplices, e debates de ideias calorosos, partilhavam as suas vivências. 

Passado dois anos, as juras de amor, haviam sido trocadas, assumidas em compromisso. Ficaram pela terra mais um ano, até voltarem as terras da família dele, após a morte do pai. Sua mãe havia já partido a muito, restava somente a caseira que assegurava o local a sua espera. 

Tinha já dado a volta a todo as estantes, já levava o que necessitava. Olhou para uma última, e viu o bloco de cartas! Sentiu a nostalgia de escrever uma carta! Agarrou num e levou também. 

A sua sede de voltar a escrever, surgiu naquela manhã, quando acordou sozinha na cama esticada com os seus lençóis brancos, com cheiro a baunilha. O companheiro adorava baunilha, a seu tempo aprendeu a gostar. A seu tempo aprendeu a gostar de muitas coisas que não imaginava, como a escrever. 

Já não escrevia a mais de cinco anos, com a sua partida, não conseguia sentir vontade de agarrar o caderno e escrever como antes. Tinha escrito para viver, como sede insaciada, sem capacidade de conseguir conter a necessidade de escrever, seu companheiro, seu amante, aprendeu também a compreender este amor partilhado que tinha a arte!

Muitas vezes partiam juntos para a capital, para apresentarem o último livro, atingindo recorde de vendas, passado algumas semanas, uma atrás de outras. 

Quando a ela surgiu a sete anos, não esperava que o roubasse tão rapidamente, silenciosa, foi-se instalando, quando já estavam sozinhos, os quatro filhos haviam partido, ficavam os cães e os gatos. E todos os outros animais da quinta.

Estavam sozinhos a mais de 15 anos, e aprenderam a gostar da solidão dos dois, quando os filhos os visitavam, ouviam particularmente os silêncios com que faziam o dia a dia, quando se encontravam no final do dia, apresentavam-se como apaixonados, eternos amantes, que organizavam todos os momentos para estarem juntos. 

Os filhos nem sempre percebiam, mas aprenderam a compreender. Naquela família todos acabavam por compreender os momentos de cada um, como habituaram a viver com os silêncios e as palavras acesas entre os vários debates que havia por casa. 

Os temas eram sempre variados e quentes, ao som da música clássica e jazz e blues, que tocava ao longo do dia, baixo e suavemente. Naquelas tardes, juntavam-se amigos dos filhos, e alguns vizinhos das quintas vizinhas e amigos que vinham da capital para os visitar. 

A escolha de se manterem isolados naquele vale, havia sido partilhada e decidida pelos dois, tinham reconstruido tudo a sua imagem, entre o clássico, o rústico e o moderno da altura. 

Colocou o saco com as suas compras para pagar, tirou cada um dos produtos para serem pagos. Só nesse momento falou, pediu o tabaco e a conta final. Levava tabaco para uma semana, não mais. Não era usual ser tão pouco tabaco. 

Entre as voltas que deu, havia passado mais uma hora, o sino voltou a tocar. Sentiu o apetite a tomar conta de si. Saiu da mercearia e seguiu para o café/casa de chá. 

Pertencia a mais excêntrica mulher do vale e arredores, havia transformado o café do pai, numa bela casa de chá, com exposições de vários artistas conhecidos, havia levado a arte a aldeia. 

Por perto havia criado a sua residência de artistas, num tempo em que ainda nem se falava do conceito. E tantos que haviam passado por lá, entre os serões passados na sua quinta e na residência, grande parte dos artistas levava material para colocar um pais a reflectir. 

E agora as duas estavam velhas e com olhar profundo. Nunca se havia casado, não tinha filhos, somente gatos que passavam por lá, nas suas visitas matinais. 

Entrou e sentou-se, pediu uma garrafa de água, e olhou para a ementa e pediu um prato intenso, necessita de ter forças para voltar para casa. 

Hoje tinha de voltar para casa, era quarta feira, era o dia dela sair para fazer a sua ronda, depois teria mais sete dias pela frente, totalmente seus e do seu amigo, o tempo. 

Perguntou pela dona, sua amiga, responderam-lhe que estava na residência, a servir como modelo de pintura, para um nu. O sorriso surgiu espontaneamente, era um costume seu, pedir um quadro seu, ao natural, tinha uma pequena galeria erótica, para chocar as beatas da aldeia. 

Divertia-se com isso, saber que chocava as mulheres por reprimirem o seu corpo. Nesse momento sabia que já se iria despedir dela. Somente a imagem dela nua perante o pintor, lhe dava o prazer da amizade que haviam construído ao longo dos 35 anos. 

Ficou a saborear o momento, chegou o prato, comeu. Quando acabou, levantou e sentou-se na sala dos livros, era uma velha biblioteca, onde estavam as primeiras edições de todos os seus livros. Havia deixado cada exemplar assinado com a dedicatória especial, eram mais de 60 livros. Tantos como cada um dos momentos altos e baixos da sua vida. 

Olhou para eles com ternura, havia sete anos que não escrevia. Olhou para eles, sorriu. Tirou o bloco de cartas, e começou a escrever. Ficou ali mais de 3 horas a escrever, como se não houvesse amanha.  
Acabou por volta das 15 horas, e pouco depois levantou-se pagou o almoço e a sobremesa. Saiu e com calma voltou para o caminho que levava ao riacho. 

Foi com calma, saboreando cada momento. Eram 16 horas, quando o sino voltou a tocar, as outras horas haviam passado sem que notasse, estava a escrever cartas. Hoje acordava com essa vontade. 

Tinha chegado ao riacho, após três quilómetros, e sentou-se a beira da lagoa, o tempo havia secado as lágrimas, somente olhava a água a passar. Eram já 17 horas, quando o sino voltou a tocar e a ecoar por todo o vale. 

Decidiu voltar para casa, calmamente, tocando em cada árvore, velho ritual que partilhava com o companheiro quando iam passear e namorar ao longo dos anos. Ritual tão antigo como o tempo, que havia sido parado após a sua partida. 

As seis horas tocou o sino, e ela metia a chave na porta para entrar. Já não havia os cães e os gatos, somente o silêncio que habitava a casa. 

Colocou o saco na banca. Dirigiu-se para o escritório, colocou as cartas em cima da mesa redonda, onde se colocava as últimas leituras.

Olhou para a casa, sentou-se e respirou fundo. Ainda havia claridade na casa, ainda era dia.

Foi buscar o copo já preparado, agarrou na caixa com o pó do costume, colocou várias colheres, e mexeu o suficiente para ficar diluído. 

Agarrou o copo e dirigiu-se para o escritório, sentou-se no seu recanto da leitura, olhou pela janela, e viu ao fundo o riacho a passar, sorriu. 

Lembrou-se dele, fazia cinco anos que havia partido, e o silêncio havia surgido naquela casa, ao longo dos últimos anos, os parceiros de todas as horas, haviam partido, já não restava ninguém. 

A um mês surgia a noticia, o prognóstico era reservado, o tempo era curto, e a degradação esperada elevada. Quando se levantou naquela manhã sabia o que queria fazer!

Fez tudo o que era esperado, afinal às quartas feiras, saia sempre para fazer as compras e lidar com as pessoas, saindo do isolamento, em que vivia nos outros dias.

Quando acabou por tomar, deitou-se no seu recanto, por entre as almofadas de todas as cores, lembrando-se que foi assim que o viu pela primeira vez, no seu recanto de leitura no seu sotão, com uma janela enorme para a praia. Viu a passar durante as primeiras semanas, sozinho, sempre com um livro na mão e uma toalha na outra. 

Quando arranjou coragem, procurou por uma toalha e levou um dos seus últimos livros. Já escrevia e publicava, mas não se apresentava perante ninguém. Os seus pais eram os únicos que sabiam quem ela era. Quando fora a praia, nesse dia não fora ele. Saiu da praia sentindo-se desapontada e infeliz, completamente embrenhada nos seus pensamentos, quando se choca com alguém nas ruas da pequena feira que havia para festejar a santa padroeira das causas impossíveis. 

Quando se olharam, nunca mais deixaram de se olhar. 

No seu último suspiro, lembrou do seu primeiro beijo, após uma caminhada num dia nubloso, que originou uma chuvada de temporal. Quando se resguardaram surgiu o beijo, a caricia, o desejo. 

Em posição fetal, lembrou-se dessa primeira vez que acabaram por dormir juntos, enquanto chovia lá fora, e a posição que ocuparam pela primeira vez em que foram amantes. 


Quando foi encontrada, estava ao lado o que ele lhe havia escrito.

Espero por ti! 
Não te demores! 
Desejos mil! 
Fantasias tantas!
Beijos ardentes!
Não te demores!
Espero por ti!
Aqui na eternidade!
Hoje e sempre!

a data do bilhete era a data da última vez que ela havia saído à rua.


E ao longe o som do sino a tocar e a dar as 19 horas.


domingo, 23 de abril de 2017

Amor e Livros

Recentemente saiu numa página da internet um pequeno concurso, para explicar quem merecia receber o Nobel do melhor leitor!

Fui pensando em responder, todas as minhas qualidades enquanto leitora e merecedora de um Nobel, mas fui vendo que honestamente não tenho qualquer razão para merecer tal distinção. Pois bem... acho que será melhor explicar. 

A minha relação com os livros é deverás complicada como com qualquer humano, alias trato cada livro como se fosse um amigo, um companheiro de viagem, um amante que sussurra palavras quentes de um qualquer momento de prazer, como o olhar o por do sol, com o livro no meu regaço!

Não os respeito, já que os levo para qualquer lado, e nunca sou o fiel o suficiente, tendo em conta que levo 5 ou 6 de cada vez! Seja o romance que espreita nas horas vagas, seja o livro técnico da área de intervenção para relembrar um último pormenor, seja até aquele livro de ficção cientifica, escondido na mala a espera da luz para se mostrar, seja livro que recomendo para reflexão do seu bem estar, seja a poesia bela que saltita por momentos de 2 minutos para recitar um poema. Seja a banda desenhada, que olha para mim com o sorriso estampado na capa a apanhar o meu lado infantil que não quer crescer! 

Se eu mereço o Nobel de melhor leitora, nem de perto! Quando chego a casa, vão comigo para a cabeceira da cama, e amontoam-se com os outros 7 que estão por lá, sobre as mais diferentes temáticas! E quando os deixo a descansar de uma semana louca, simplesmente agarro outros dois ou três e levo para uma caminhada, com o peso da leitura atrás, acreditando piamente que os vou ler a todos! Tiro um após uma paragem, olho-o nos olhos e abro a capa, sigo para a leitura, escapando como por artes mágicas da realidade deste momento, do aqui e do agora, e partindo para uma realidade alternativa, que me leva a pensar, a reflectir sobre o mundo, a vida, colocando-me no meio de uma batalha, e me permite o voar e acreditar no impossível. 

E quando chego ao final da caminhada, paro para comer alguma coisa e lá ficam eles um ou outro em cima da mesa e outro colocado na mochila, aguardado com o bloco dos desenhos, falando entre si, sobre as minhas preferências. E de tempo a tempo surgem os acidentes, um copo de água que é derrubado e banha todas as páginas dos vários livros, e são as memórias das vivências que fazemos juntos. 

E as bordas dos livros técnicos, escritas com reflexões e poemas forçados de uma tentativa de olhar o mundo por outra perspectiva, gerindo a emoção com que me prendem naquele momento de pura intimidade. 

As gargalhadas que dou, as lágrimas que teimam em cair quando a história ainda vai a meio, o choque de não conseguir processar o grotesco que leio e que se depara perante mim! A sensação de posse que alguns deles tem sobre a minha alma, a sensação da lentificação e aceleração do tempo, esse companheiro de viagem! A vontade de alguns dias em chegar a casa e simplesmente ficar no canto ao lado da luz e saber que amanha não há compromissos e ler, ler sem parar, como se não houvesse um amanha. 

Não o mereço! Os livros são os companheiros de todas as horas, mesmo quando estou acompanhada, o desejo secreto de tirar um e simplesmente ler, sem ter de ligar a qualquer uma conversa que decorre ali ao meu lado! A solidão da leitura e o prazer de viverem comigo todas as horas da minha vida, até quando agarro a mochila e parto pelas estradas do mundo. 

Nunca vou Só! Comigo os meus livros conhecem o mundo, outras culturas, outros realidades, e por entre as suas páginas estão todas as lembranças da nossa relação e dos momentos em nós partilhamos com os outros. 

Por isso não mereço o Nobel! Porque para mim os livros não são um objecto inanimado, são uma face de alguém que num dado momento decidiu partilhar a sua alma com o universo, e eu escolhi receber essa partilha, enquadrando ao meu dia a dia frenético, com um sorriso e uma esperança de que num futuro longínquo, com os meus cabelos brancos possa sentar-se ao sol, bebendo um chá e lendo com calma e tempo todos os livros que me faltam para eu crescer! Por isso não o mereço! 

Feliz Dia do Livro!








sábado, 15 de abril de 2017

Mal de Pierres e Erotomania!

Filme da Páscoa - Mal de Pierres!

Como falar de uma perturbação mental, e paralelamente manter-se um amor platónico para dar sentido a vida?

A erotomania é uma perturbação ligada às psicoses, nomeadamente uma perturbação delirante!

A forma como é construído a história, compreendemos que é negado a possibilidade de viver uma sexualidade com tranquilidade e espontaneidade, para lidar com esta dificuldade, força-se a casar-se! 

O amor que desperta, ao sentir-se escolhida por alguém inacessível, como objecto do seu amor, facilita a sua compreensão do mundo, para lidar com a dor de não se sentir suficientemente amada!

O encanto deste filme, é a prova de amor que o marido a determinada altura faz, que dura anos! 

E isso faz todo o sentido, para se sentir alguma normalidade no dia a dia!

Ter alguém que ama para além de todas as dificuldades...

Nem sempre conseguimos encontrar alguém assim!

...

sexta-feira, 14 de abril de 2017

A normalidade dos dias que passam!

Nos dias que correm a normalidade e rotina dos dias que passam, enche-se por todos os lados!
 Paterson

Vê-se nos filmes como Paterson, onde a riqueza da rotina de um artista que escreve poemas, permite pensar e sonhar com as pessoas que somente criam pelo prazer dúbio de criar!

A rotina do casal, que todos os dias faz a mesma coisa, e mesmo assim todos os dias são diferentes pelos pormenores que surgem no dia a dia!

E a forma calma e relaxante como é vivido um drama, como a destruição do livro de poemas pelo cão da casa!

A vivência da esposa que acredita continuadamente no talento do companheiro, que sonha vezes e vezes sem conta no par de gémeos que poderão ter. A beleza das pequenas coisas, encontra-se no filme, como também pontua na auto-descoberta de nós próprios. 

Será que somos capazes de amar o pormenor?

Vive-lo como sendo algo mágico e profundo? Sabendo que assim pertencemos a alguém? O pormenor do filme, é que mesmo que as escolhas da esposa, sejam ao lado, nem sempre organizando em conjunto com o marido, o que sentem um pelo outro permite aprender a viver, com as invenções sistemáticas que surgem desde a cozinha, decoração e tudo o resto!

Talvez o amor na sua plenitude seja isso! O viver o dia como se houvesse somente este momento, o que estamos a viver, a ler e nada mais!

Poético, assustador, sublime? 

Tudo e nada, somente a essência deste presente em que eu escrevo e tu lês!


Demain e reflexões

Os filmes retratam em muito as várias realidades que existem! 
O orgulho que sentem pela presença constante dos pais é um dos momentos profundos e relevantes no filme. 


A vida encontra-se pelos filmes que assistimos!
O que leva a um pai ou a uma mãe deixar um filho para trás?
E voltar passado anos como se nada se passasse?

Como uma criança aprende a viver com isso? Um dia de cada vez!

E depois quando um dos pais desaparece? Como se vive com a saudade de um pai/mãe que morreu?

Vivendo o presente como se não houvesse amanha!

Como se diz a um filho que vamos morrer?

O dia a dia das reflexões sobre dilemas existenciais!

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Porque Razão o mundo inventou relatórios???

Porque razão o mundo inventou relatórios??

Qual a necessidade de algo tão complexo? e tanta palavra? para quê?

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uma reflexão a ser feita nos próximos tempos!

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segunda-feira, 10 de abril de 2017

Viva la Libertà e passione

Viva la liberta - Roberto Ando - Trailer from Distrib Films US on Vimeo.


A vida que encontramos pelos recantos de um mundo que se perde por falta de norte!

A Palavra que nos falta no dia a dia dos políticos, remete-se para a falta de paixão, que existe, que nos eleva ao lugar dos deuses. 

Na viagem a Itália, vi a grandeza com que as cidades foram construídas, validando a possibilidade de olharmos para o céu, ambicionando o Olimpo. 

Na minha pura interpretação, creio que os edifícios enormes, talvez fossem também uma interpretação da possibilidade de ambicionarmos o impossível, e conquistando passo a passo para o tornar real. 

A paixão que defendemos, encontra-se em oposição ao mundano conformismo que vivemos! Sendo mais fácil a manutenção da nossa permanência num sofá ou numa cadeira de um escritório improvisado, para manter a pseudo intelectualidade!

A falta de ligação ao resto do mundo, promove as falhas na empatia, e por sua vez desenvolve quebras nas ligações com o mundo! Dificuldade a capacidade de calçarmos os sapatos do outro!

A politica como tudo o resto necessita da paixão para viver e saborear a qualidade de vida que poder ser maior. 

Maior que os intentos, 
que as intenções, 
que uma percepção de algo que acontece e não se transforma!

Esta falta de paixão pela vida, por tudo o que deixa de existir assim que dá o primeiro suspiro é nada mais que a ausência de uma vida que poderia ser maior, mas que fica somente pela intenção. 


E a palavra que se ausenta da tribuna de um desfile de memórias, fica-se pela falta de paixão, que vemos nestes que nos poderiam dar o exemplo, dar a possibilidade de sermos maiores!

Afinal continua a lenga lenga, o Olimpo é somente para os escolhidos!


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sábado, 8 de abril de 2017

Cena 11 - Mercado

Entra no mercado da Ribeira, vê as bancas!

Tenta ignorar a inquietação que sente, aquele momento foi muito forte! Diferente do que alguma vez sentiu!  

Olha para as bancas e começa a procurar pelos legumes! Tentando criar uma lista de cabeça do que necessita para levar para casa! 

Passa por três bancas, e para na banca em que um senhor de boina dos seus 70 anos, escolhe alguns dióspiros para um saco transparente.

O aspecto é delicioso, carnudos e maduros. O senhor olha-o e sorri, e começa a falar:

- Já percebi que é cá dos meus!

- Desculpe?

- Gosta da fruta madura! Olha para a fruta com paixão!

- Paixão?

- Sim! O seu rosto está focado no vermelho deste dióspiro, não o deixa de olhar!

- Sim! Faz-me lembrar um episódio da minha vida!

- A sério? Hum, pela sua cara, um velho amor?

Silêncio!

Continua: - Creio que acertei! E pelos vistos dos grandes e fortes!

Silêncio!

Continua: - Faz-me lembrar a minha Maria! 

Sorriso cúmplice

Continua: - Uma grande história de amor, tanto no tempo como na intensidade!

- A sério? Grande como?

Continua: - Durou 50 anos! Ela morreu a um ano! Coitadinha! Mas morreu feliz! Fizemos tudo o que era para fazer! E dizemos tudo o que era importante dizer, até as parvoíces! 

- Como consegue viver sem ela?

Continua: - Vivendo, aprendendo, sorrindo, amando os nossos filhos, os netos! Indo aos vários locais, onde fomos felizes! Rindo!

Silêncio! Olha atentamente!

Continua: - Sabe, quando amamos realmente é quando somos livres, amamos o outro por nos completar e não por ser a nossa metade! Quando se ama de verdade, conseguimos fazer tudo pelo prazer de o fazer! Até aprender uma nova língua. Sabe depois da Maria partir, eu decidi aprender danças de salão e espanhol correctamente! 

Sorri silenciosamente!

Continua: - Para ajudar a suportar a ausência, aprender algo ajuda a passar! Já começou a aprender algo?

Admirado, responde - A pouco passei por uma porta azul, Piano Aquário, ouvi uma senhora a tocar, e senti uma vontade antiga de aprender a tocar piano!

- Piano Aquário? Ah viu a Vera, ela é professora de Piano! Velha amiga! Ela veio para Portugal a mais de 30 anos com um papagaio nos ombros. É professora no Conservatório de Lisboa. Se quiser eu levo-o lá! Ela dá aulas as vezes ao sábado. É uma boa oportunidade de a conhecer!

- Quer dizer...

- O destino quis que nos encontrássemos, por algo motivo! Se calhar é para você descobrir o seu dom, e lidar com a sua dor! Tocar piano ajuda a libertar a alma. A minha Maria tocava maravilhosamente, mas eu não sei tocar nada!

Sorri!

- Vamos então despachar! Que temos de entregar a mensagem e criar o conhecimento! A história escreve-se por estes encontros!

- Não creio que venha a tocar, não tenho tempo nem vida! 

- Se tem tempo para sofrer e chorar, tem tempo para aprender e treinar! Se sentiu algo forte, é porque foi um chamamento para tocar! E eu vou entrega-lo lá!

- Deixe estar, não se preocupe!

Agarra suavemente o braço e fala: - Não deixo! Quando a magia da vida acontece nos encontros fortuitos, deixar fugir a oportunidade pelo medo de tentarmos é deixarmos a felicidade fugir, como areia que foge pelos dedos da mão. é como Shakespeare dizia na personagem de Lúcio - Não passam de traidoras nossas dúvidas, que nos privam, por vezes do que fora nosso, se não tivessemos receio de tenta-lo. Vamos lá então, vou pagar e seguimos já para o Piano Aquário. 

Sorri sem conseguir falar, o momento é solene para dizer alguma coisa! 





Cena 10 - Piano & Caminho

Desce a Rua, caminhando vigorosamente em direcção à Pastelaria do Bairro, com uma banca cheia de bolos frescos e sorridentes ao apetite voraz. 

Come uma torrada e um chá preto! Segue-se um café!

Paga e sai para a rua. Desce até a Sé de Lisboa! Ouve os turistas por todo o lado! Não o assusta estar em silêncio! Somente hoje fugiu pela primeira vez de casa! 

O dia promete um sol radiante! Caminha vigorosamente até ao Cais de Sodré! São 10h00! Chega a Padaria Portuguesa, vê as pessoas que caminham pela Rua, com roupas leves e vontade de explorar a cidade! 

Ele passa em silêncio, caminhando. Ao longe vê dois cães, um branco e um preto e branco, deitados ao sol! Ouve o som de um piano, seguro e confiante! 

O som sai de uma porta azul - Piano Aquário, ele vai aproximando-se estranha aquele som ali! Nunca ouviu nenhum som cristalino como aquele! Chega a porta, e espreita lá dentro vê uma mulher de cabelo vermelho forte, majestosa e imponente. 

O cão branco e preto senta-se olhando-o! e a melodia continua sem parar! 

Uma força muito grande impele para entrar naquele espaço e perguntar algo. Ele não sabe o quê! O seu lado racional exige que volte ao caminho e siga para o mercado!

O tempo que fica ali, não passa despercebido a esta mulher! Ela olha-o, perscruta-o com o olhar e sorri!

Ele assusta-se e segue para o Mercado. 





Cena 9

Banho

O despertador toca ao som da smooth fm! A música de uma manhã de Sábado, calma como o dia que se avizinha! 

A janela deixa a claridade entrar ligeiramente. Ele respira fundo! Fecha os olhos! E respira novamente!

Levanta-se da cama, desliga a rádio, e liga o mp3! Começa a tocar Eunaudi! 

Hoje o humor está como a música.

Sai do quarto, e segue para a cozinha, ao fundo do corredor, com a luz a entrar pela varanda. Liga o esquentador, e segue para o banho!

A música cada vez mais intensa, toca ao fundo! Os olhos fecham-se, preparando-se para fugir para outras memórias! 

Abre os olhos, hoje necessita de manter-se aqui e desligar do passado! Fecha a torneira! Agarra a toalha, limpa os olhos, o olhar fixo no chão. 

Respira fundo e sai da Casa de Banho, deixando a toalha a cair no chão!


A rapidez do momento, liberta uma energia, a acção sobre o momento, Entra no quarto, veste uns jeans, uma tshirt lisa verde, calça os sapatos vela. 

Na cozinha agarra o saco do mercado! E sai rapidamente de casa!

Nunca em dois anos teve tanta rapidez em sair de casa!



quinta-feira, 30 de março de 2017

Lembranças doces!

Quando oiço esta música sou literalmente levada para o caminho de Santiago para Muxia!

A liberdade de carregar uma mala e ir pelo mundo, dá-nos a liberdade de sonhar!
Lembro-me de ouvi-la quando caminhava pelas casas de uma localidade, vi as crianças a jogar a bola no meio da tarde, os gritos pelo golo marcado.

O sentir depois, passado uns metros, o entrar no bosque, e vibrar com a terra, o por de sol vermelho, as ondas a baterem nas rochas ao fundo da ravina!

E o silêncio a instalar-se! Somente eu, o mar, o caminho e pouco mais!

A sensação de plenitude, apesar de ainda faltar 5 km naquele momento!

Saudades do caminho! Saudades de Muxia!


 

sábado, 25 de março de 2017

E os dias...

Os dias passam e a lembrança de um momento, fica-se pela eternidade em que dura uma memória. O tempo, esse matreiro que obriga o mundo inteiro a viver para além de si, coloca-nos sobre os seus joelhos!

Obrigando a ver o tempo com outra percepção, com outro respeito. Alguns poderão facilmente gritar, obrigar ao tempo a perceber porque razão os humilha, contudo na sua sabedoria, o tempo sabe que tem impacto em nós, mas não se incomoda com as nossas reclamações, atentos a sua liberdade de nos forçar a ver a luz!

O tempo, esse tempo que nos obriga a viver em loop, como se não houvesse um amanha, quando um trauma é vivenciado, nos coloca vezes e vezes sem darmos conta a revive-lo como a ajudar-nos a percebermos qual a chave que falta para sairmos daquela situação!

Procurarmos no universo a resposta que se encontra na nossa mente...

Talvez seja por isso que ela adoece!

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Movie - Cena 8

Cena VIII

Ele para, fecha os olhos, e lembra-se de a 12 anos atrás entre o medo e o entusiasmo de descobrir quem era a musa dos seus dias cinzentos, abriu uma página do google, teclou cada letra a respirar fundo e acedeu ao blogue. 

Quando leu o blogue, viu as publicações, entre os devaneios de alguma criatividade, contudo ligeiramente mal estruturados. Havia muita emoção, por todos os lados, contudo pouca estrutura. Mexia-lhe com a alma e aguçava a curiosidade.

Estava a ler uma publicação sobre piano e física quântica, quando ocorreu uma actualização, entre o que ela escreveu e o que ele leu, percebeu que estava a beira de um desgosto de amor!


Volta a cama, deitado no escuro a olhar o vazio. Levanta-se e caminha para a cozinha, vai buscar um copo de água.  Chega a cozinha, liga a luz, e depara-se com a caixa dos chás.

Olha para a caixa dos chás - 30 divisões com 30 pacotes de sabores diferentes cada um, e em cada divisão 5 pacotes religiosamente colocados lá.

Lembra-se de ter feito a caixa, por ela era louca por chás, todos os dias bebia um diferente.
Pintou com os símbolos do mar, a condizer com a cozinha! Ela delirou durante uma semana, e agradeceu-lhe de todas as formas possíveis! Era tão fácil fazê-la com pequenas coisas!

Já não há quem beba chá naquela casa e ele não gostava muito. 

Volta ao presente, coloca o copo sujo no lava-loiças. 

Amanha é sábado, e ele tem de ir ao mercado! Volta para a cama vira para o lado dela, e adormece rapidamente.
...

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Moana e o valor da mulher

O valor da mulher...

no filme Moana conta a história de uma jovem guerreira que para salvar o seu povo, avança pelos oceanos para devolver o coração a deusa.

Entre o simbolismo da mãe natureza e o valor da mulher como sendo a que organiza as coisas, e luta até ao fim, mesmo duvidando do seu valor, do facto de ser escolhida pelo oceano/água, também no feminino, para devolver a vida a Deusa.

O simbolismo da mulher em salvar o mundo, tão esperado, e tão aguardado, entre um paganismo oculto, que passa pelas princesas aguardando pelo príncipe que as salva, desde a Branca de Neve, e Cinderela, Bela Adormecida, passando para a Bela que salva o Monstro, que o ajuda a humanizar-se, para a Rapunzel que passa a acreditar para além da sua torre, para a Mulan que avança pelo exercito, mascarando-se de homem, para conseguir salvar novamente o povo. 

E nas últimas vemos a 
  • Brave que não aceita casar-se com ninguém que não seja escolhido por si, que mexe na magia para salvar a sua mãe!
  • Moana  que assume o seu lugar como futura rainha do seu povo e necessita de proteger o seu povo.
Uma das coisas que se vê nos filmes da Disney, passa pela mitologia do sagrado feminino, onde a ligação a terra e a magia é considerado como algo natural, e não algo que possa ser colocado em causa. 

Onde a voz da sabedoria está a aliada a voz da loucura, entre pontos de reflexão que vão mais além do um filme que lança uma menina ao mundo!

O simbolismo do sagrado feminino, como base de uma sociedade mais justa onde o amor possa ser vivido na sua plenitude, em comunicação com todas os seres vivos, sejam animais ou plantas!

Este filme não fala só da mulher! 
Fala também da perda do homem, pelos últimos 1000 anos, nas suas conquistas pelos impérios, pelo resgate do coração da TERRA.

Perdeu-se da comunicação com o restante mundo mágico, e desta forma é como se fosse da missão das mulheres, restaurar o coração a Mãe Natureza, para acalmar a sua irá e potenciar a possibilidade de vivermos, antes de ela nos envenenar...

Do papel da sensibilidade que nos foi pedido para assumirmos, pedem agora que possamos salvar o mundo... e neste ponto como alteramos o destino, se em todos os momentos é resgatado a nossa vida, colocando-nos em constante obrigação pelos deveres que temos de fazer?

Também é devolvido de alguma forma a possibilidade de acalmarmos a nossa ira ligando-nos a Terra... é neste sentido que nos é devolvido a nossa essência!


E fica a reflexão!





domingo, 12 de fevereiro de 2017

Amor dos P!


A vida as vezes é mesmo assim!!! 
Tentar e tentar e tentar!!
Há-de chegar a algum lado!!!
hehehehe

sábado, 11 de fevereiro de 2017

O Amor e o Potencial!

Lost Property from Asa Lucander on Vimeo.



Nos dias que passam, o romantismo aproxima-se...
Enquanto uns procuram o namorado ou a namorada perfeita, dentro da estipulada check list que possa saciar as suas necessidades, outros gostam da ideia do amor eterno salpicado por uma melancolia de outros tempos mais remotos.

Entre o desejo de uma vida a dois, partilhada e salpicada com ironias e sorrisos, entre desejos e silêncios, surgem pérolas do que pode ser o amor!

Aquele que acompanha no meio da solidão que a vida é!

Por entre esquecimentos de uma doença ou de uma vida... por entre momentos que pautam pela confiança ou incerteza... 

Desde o início dos tempos de uma possibilidade de uma qualquer relação... fica a vergonha sentimento que habita na sensação de uma perda de protecção, que poderia dar alguma segurança, a um acto tão natural, como conquistar o outro somente com o acto de conversar...


A Lunch Break Romance from Danny Sangra on Vimeo.


e o romantismo espreita a cada instante... fica nas entrelinhas! E pouco mais!

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Teorias e afins!






Nos dias que passam surgem filmes que questionam o absurdo, a possibilidade do impossível, a materialização de um desejo da humanidade de contactar com outros seres, e desbravar mais caminho para além do óbvio planeta terra. 

Entre o amor, sempre o amor, é algo que nos persegue desde o inicio dos tempos, esta sensação da vinculação como ponto de partida para a salvação da alma, da espécie humana, para a continuidade para além de nós mesmos. 

A possibilidade de fazermos algo mais do que somente a vida entre os nossos dias, sempre que vejo grande parte destes filmes, e vejo o avançar da humanidade em diferentes formas de estar, o que sobressai é constantemente a vinculação a algo. Sentir que pertencemos a algo, seja um grupo de pessoas que possamos designar como família, ou seja, a possibilidade de uma tribo, seja urbana, ou então mesmo de uma localidade ou povo. 

Em todas estas constâncias, a vinculação aos progenitores, coloca-me sempre algumas dúvidas, entre as expectativas que são criadas e forçadas, que mais tarde darão em uma qualquer patologia, quando não vividas na sua plenitude, como até mesmo a possibilidade de uma eliminação do planeta terra, em forma de um suicido ou homicídio quando a intensidade da emoção é vivida ao máximo, por uma expectativa que não corresponde a realidade. 

Contudo o que me revela também algumas dúvidas, é o elevado número de humanos a a variação do nosso DNA. Nos últimos meses, os casos que surgem de alterações dos traços do fenótipo, que leva a questionar até que ponto, a nossa espécie em semelhança com as demais, apresenta mecanismos de auto-eliminação, de forma a conter um aumento em demasia, sem grandes possibilidades de ser assegurando o sustento continuo da espécie.

E aqui entra a percepção de forma, fomos criados, com tantos mecanismos tão semelhantes as restantes espécies, que assumem mecanismos de auto-destruição quando passam a ser invasoras e não asseguram a sua própria sobrevivência. 

E se nós num futuro distante, houvesse a possibilidade de criar uma nave, leva-se os humanos a desbravar caminho e quando déssemos conta, estaríamos de volta a terra. Entrando numa percepção de circulo, de algo circular, de algo que volta sempre ao mesmo ponto, vezes e vezes sem conta, para fazer a vida acontecer, repetidamente, em que a Teoria das Cordas, poderia ajudar a criar a ligação ao surgimento da vida no planeta Terra, justificando a necessidade de surgir o humano, de evoluir, para além do homem sapiens...

Em alguns momentos, o nosso corpo funciona como um prototipo de uma maquina, tão evoluída, e tão desenvolvida, pronta a perceber quais as emoções que poderão facilmente produzir hormonas ao bom funcionamento mental, como também criar situações que possam ajudar a manter o bom funcionamento corporal! Esta maquina é tão evoluída, que está totalmente programada, para avançar sem a totalidade da nossa consciência. 

Em alguns momentos parece sempre que estamos na caverna de Platão, apanhando somente os cacos ou as sombras de uma dada realidade que ainda não temos o acesso...

E depois temos estes pontos que nos fazem reflectir:
  1. Astronomers spot a strange, supersonic space cloud screeching through our galaxy
  2. KINEMATICS OF ULTRA-HIGH-VELOCITY GAS IN THE EXPANDING MOLECULAR SHELL ADJACENT TO THE W44 SUPERNOVA REMNANT


E tanto para repensar e tanta teoria ainda para criar!!!










domingo, 29 de janeiro de 2017

Humanos



Estamos num dos períodos mais conturbados na actual existência, com os direitos conquistados colocados em causa por uma rede social, que emite diariamente decretos de lei, que condiciona a vida humana e todos os seres que efectivamente fazem parte deste planeta. 

Por estes dias, coloco-me a pensar porque razão os homens bons estão tão pacíficos contra uma violência atroz?

Questiono-me ao ver os olhos destes testemunhos que tão igualmente falam das mesmas dificuldades que temos a cada dia, na nossa vida, tão distantes como uma torre de babel, contudo as diferenças das línguas é somente a mais notória, porque as semelhanças são mais que evidentes. 

O povo esquecido nos decretos cegos que saem de governos que não conhecem os seus territórios, que escravizam as nossas almas pela bugiganga que sai de última geração, pela comida que temos de comer para sobreviver mais um dia, pelos remédios que tomamos para viver uma vida que não queremos como nossa, para sermos escravizados por mais um par de horas. 

Temos as crianças hiperactivas, contudo a nossa capacidade de estar atento diminui devido ao volume de trabalho que temos constantemente. A vida obriga-nos a ser resistentes, quando tudo o resto cai a nossa volta. 

Esta desigualdade que invade cada humano!




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Este movimento que retira a humanidade das pessoas, tornando-as maquinas sem coração, somente a processar qualquer coisa! Esta humilhação em dizer que existe uma só verdade, um só credo, uma só orientação, um só destino abençoado!

Esta vida descrita por tantos testemunhos humanos, com perdas elevadas, da sua casa, da sua liberdade de escolher, de se afirmar enquanto pessoa!

E a percepção de que estamos por um lado condenados, por outro lado que estamos a beira de algo muito grande e belo acontecer, a possibilidade de todos os povos se unirem em prol de acabarem com as desigualdades sociais. 

O que está patente em todos estes testemunhos é a possibilidade de haver alguns que asseguram que algumas verdades sejam as únicas verdades, eliminando a possibilidade de falar-se e dizer eu tenho voz!

Algumas destas pessoas, fossem mulheres ou homens, falaram das constantes violações de direitos humanos, do direito ao corpo, do direito ao voz, do direito a nossa consciência, do direito a comida, do direito à terra para viver dela, do direito ao trabalho honrado!





E todas estas dificuldades são elevadas a possibilidade de tudo, o que é ainda pouco, o que foi conquistado simplesmente deixar de existir!

E tanto para defender!!!


domingo, 22 de janeiro de 2017

Os resquícios de luta de classes!





Recentemente vi o filme Alone in Berlin!

Nos dias que passam, a resistência surge por actos únicos e isolados, muitas vezes com uma consciência de que o mundo necessita de alguém que se levante e se oponha ao sistema totalitário.

A liberdade de escolher, tantas vezes é manipulada e a reflexão sobre cada passo fica-se na questão sobre os valores que defendemos, sobre a possibilidade de nos mantermos íntegros, ao mesmo tempo em que tentamos ser justos, num mundo que nos desafia a seguir com a manada!

Este filme, é muito mais que resistência ao regime fascista, é também a possibilidade de fazer um luto por um filho que foi roubado, encaminhado para uma guerra da qual não fazia sentido ir. 

Para uma demagogia que se fita o poder de alguns sobre todos os outros, sobre a eliminação das diferenças em prol de uma igualdade inexistente.

No meio desta loucura que segue a nossa espécie pseudo humana, fica-se pela sensação de que sejam quais povos forem, estamos constantemente numa luta de classes, numa obrigatoriedade de classes sociais, que retira a capacidade de todos sermos iguais nas nossas diferenças.

Esta necessidade de alguns manterem os seus domínios em detrimento de um poder que não vive para além das suas vidas, que não se mantém numa eternidade, coloca-me a dúvida, da capacidade destes pseudo humanos, poderem ver-se para além da sua existência rotineira onde a desconfiança é um estado permanente que vive a cada segundo. 

Tendo já experimentado todos os estados possíveis de organização social, qual será o que necessitaremos de fazer para que possamos criar as próximas gerações, de forma autonomia e com capacidade de serem livres?

Fica a questão! 

E a necessidade de educar o mundo, para a mudança gradual de uma liberdade, igualdade e fraternidade essenciais para a sobrevivência da nossa espécie.

Temos um longo caminho pela frente e muitas batalhas também!

...

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Era Eu & Brave & Liberdade



A muito tempo que não escrevo sobre ti!

As saudades que tenho são tão maiores que a vida, e a vida nem sempre é como queremos, a sensação de vazio que habita em cada instante, é tão grande como assustadora! Fugaz como certeira!

A possibilidade de seguir uma vida, da qual não faças parte, está a surgir. A certeza que teria valido a pena e que seriamos felizes, e o medo de prosseguir para um novo destino! 

Gostei de ti, amei-te mas as vezes a vida não é feita como estamos a espera, e por vezes temos de seguir em frente mesmo não queremos! 

O coração tem de ser forte, resistir sempre! A vida continua... 

Ver-te e não falar, saber que estás ali e sem falar, somente ali presente! 
A vida tem de seguir! 
Fechar o coração para ti, reestruturar e voltar a abrir, sabendo que nunca serão como tu!

Se acreditei que um dia seria possível, como acreditei, nas tuas palavras, nos gestos, nos olhares, no dormir agarrado. A vida foi possível, contudo a que seguir... não podemos ficar presos a uma miragem, afinal temos de sair do deserto para chegar a algum destino.

Os paraísos pelo meio do deserto são uma miragem, como a história de amor e uma cabana móvel, são somente um registo que fica bem num vídeo de uma música, não acontecem na vida real...

Amei-te... olhando para trás, foi curto o tempo, mas amei-te...
Houve um dia que tudo foi possível... mas teve um fim!
E chega o tempo de libertar!
E ser Brave...

Venha a liberdade de amar novamente!


domingo, 8 de janeiro de 2017

...


Tell me if you wanna go home
Cause I'm just not sure
Tell me if I'm back on my own
How to get back there
Giving back a heart that's on loan
And I just can't bear
Just tell me if you wanna go home
Wanna go, wanna go, wanna go, wanna

Wanna go, wanna
Wanna go, wanna