segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Escrevo como toco piano! - Monologo sem Fim!

Em cima de um palco, um piano, uma cadeira, um portátil, uma mesa.
Uma mulher!

Entre o passar de um lado para o outro, entre uma escolha, de um instrumento de comunicação, escolhe a fala! Vira-se para o publico, e a voz ecoa pela sala escura!

...........

Escrevo como quem toca piano!
E eu toco piano,
as mãos que sobem para depois caírem sobre as teclas,
o som forte que sai,

como em momentos o som que desafina de uma aprendizagem que não é bem feita!
que fica aquém de tudo!

Escrevo sem sentido, sem palavras que defino a tristeza de muitos os momentos que vagueio por entre os pensamentos que não habitam em mim!

a paixão pelo tocar suavemente com a ponta dos dedos, por uma superfície de teclas, tanto de um computador como de um piano!

O movimento tão igual, tão profundo, na forma de comunicar com o mundo, estou aqui!

E no final deste momento de passagem de toques entre um teclado, tanto de piano como de computador, não deixa exprimir a saudade que teima em bater num coração...

E dedos que caem docemente sobre o teclado, e a fúria que habita em cada toque... Doí! Quando as coisas não acontecem! quando a música fica parada num piano fechado, quando o teclado do pc não exprime a sua possibilidade!

A vida acontece nos encontros, de um momento que não volta, que não se repete, apesar de sentir muitos dos momentos repetições de um tempo sem tempo, de uma palavra dita mas não vivida!

Este tempo dos não lugares, das não existências, deste grito que sai, mas que perde-se quando o espaço não existe dentro e fora de mim!

Esta vontade de gritar e nada dizer quando abro a boca! Que vontade em gritar, em parar a vida, em simplesmente deixar de existir, desta forma!

E que palavras saem deste teclado, ao som da melodia, que a seu tempo será tocada, noutro teclado, noutro espaço com a mesma emoção de fúria, contida! Sim, contida, sempre contida!
Sempre parada para não ser vivida!

Se é um poema?

Não o é! somente um desvario louco de uma noite infame, que não para...

E quero gritar, gritar, gritar... mas não sai! e doí tanto!

....


Deita-se para o chão. A Luz fecha-se o foco!
Ouve-se o piano ao fundo!

A cortina cai!

Hoje ouve-se por aqui Sigur Ros!

sábado, 5 de novembro de 2016

Movie - cenas 1 a 7

Cena I

Voz off!

Colocar a tábua branca na mármore branca. Descascar a batata doce laranja, dos EUA. Cortar em Circulos, depois em quadrados e rectângulos. Nunca sai direito! Colocar o Milho a cozer! Comida Vegan misturada com Carne de tempos a tempos! Grande Vegan! Acender o bico do fogão. Isto vai durar tempo! Eu tenho tempo, ninguém espera por mim! Eu não espero por ninguém! Eu não espero por ninguém! Merda pus pouca água! Colocar água no caneco, colocar no tacho! 

um flash

A corrida matinal, o cão que olhou como se o reconhecesse! olhou profundamente!

Volta ao jantar!


Voz OFF

Tenho de cortar os cogumelos! Tirar do frigorífico, lavar, cortar em tiras finas... falta colocar a música! Hoje ouvimos Einaudi! Tirar o vinho! Tomar um copo! Ir buscar as especiarias! É sempre todos os dias a mesma coisa! 


Um flash

Um dedo apontado com agressividade - Tu não és capaz! És uma merda! És uma desilusão!


VOZ OFF

Raios, tenho de ir buscar o azeite! Quando é que isto para! Estou cansado! Este vinho sabe... sabe...


Um flash

Um riso, um momento descontraído! uma tarde de inverno longínqua, desfocado!


Voz OFF

Vamos acabar o jantar! Não posso estar sempre a ir buscar outros mundos, é melhor tomar mais um copo. Assim é mais fácil! Está com pouca água! Vamos fazer a salada para acompanhar! Vou para a varanda ver o por de sol! Hoje a cidade está calma! Hoje posso jantar lá fora! 

Deixa de falar, foca-se em colocar a mesa, um prato, uma faca, um garfo. Um guardanapo, o copo com vinho! a Musica a tocar! Senta-se... O sol começa-se a por-se. Ele janta sozinho!

O sol põe-se!

Fecho cena 1

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Cena II

Voz OFF!

Acordar! Hoje é dia de falar com o Chefe! O que vai ele dizer desta vez! Tenho de levantar e ir correr! São 5h! O despertador ainda não tocou!

Olha para o lado, a cama vazia!



Voz OFF!

Tenho de arranjar mais uma almofada! Esta cama está vazia! Se calhar arranjo duas! Ou uma de corpo inteiro!

Olha para o tecto! Ao longe, ouve-se a descer pelas escadas um vizinho!




Voz OFF!

Olha o vizinho do 3º D, lá vai para o trabalho! Que seca que deve ser trabalhar numa pastelaria, por um lado tem sempre bolos, mas depois é sempre bolos! Só açucar! A mulher dele é que é gira, mas convencida também! Tenho de ir correr!

Começa a chover lá fora!



Voz OFF!

Só faltava chover! Hoje não! Faz cinco anos! Raios tenho de deixar de pensar nisto! Não vou a lado algum! Levanta-te murcão! Hoje tens de levantar, não vais cair na cama! Hoje não! 


Senta-se na cama, esfrega as mãos na cara! Bebe um copo de água! O dia ainda não clareou! 
Levanta-se, abre as janelas, abre o vidro. Recebe o cheiro da rua molhada! Perto existe o jardim! Cheira a terra molhada! Hoje está excelente para correr! Chove!

Segue para a casa de banho!

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Cena III



Abre a Luz, fecha os olhos! Muita claridade logo ao acordar!
Senta-se na sanita! A tampa está aberta! Sempre aberta!

Flash!

- Deixas sempre a tampa aberta! Parece que a nossa casa de banho é um WC público! Não vês que é feio, decadente!

- Uma sanita decadente? Ah Ah! Não posso! Só se for pela merda que desce pelo cano!

- Podes não ser assim tão vulgar?

- Isso é uma das coisas que gostas de mim! Entre tantas outras!

- Convencido! E o que tu gostas em mim?

- Do teu riso! É Histérico, dá sempre para continuar a rir, quando todos param de rir!

Um riso ao longe, um deitar sobre a cama!
Um puxar dos lençóis! Uma luta de cocégas! Risos!




Voz OFF!

Volta a realidade! Hoje não podes ir por aí! Hoje não! Já não! Faz lá o serviço, e tens de lavar a cara! Para ires correr! Hoje tens de ir por aqui! Correr! Ela ia gostar!

Levanta-se, despeja o autoclismo, fecha a tampa!
Aproxima-se do lavatório, olha para a banheira! 

Flash!

Um corpo nu debaixo de água!


Tem uma tontura!Agarra-se ao lavatório!



Voz OFF!

Se calhar hoje ficas em casa! Não hoje não podes! Se calhar é melhor! Hoje tens de ser forte!


Lava a cara! levanta a cabeça lentamente, e olha-se ao espelho!

Tem olheiras de quem não dorme bem a muito tempo! A barba é de alguns dias! Está com o cabelo grisalho! O cabelo despenteado, com as entradas cada vez mais salientes.

Olha-se no espelho por mais de 2 minutos!
Lava outra vez a cara, seca-a na toalha azul!
Vira-se e sai da casa de banho! 
Fecha a luz e fecha a porta!


O som dos passos a afastarem-se!

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Cena IV

Na rua, a correr, a chuva miudinha cai. Ao longe, ouve as ambulâncias a passar! Passa pela mercearia do bairro, ouve parte da conversa da dona com um cliente senior.

- Este governo é sempre a mesma coisa, mais um aumento de impostos, agora é o IMI!

- D. Amélia, sabe o que é o IMI?

- Então não sei! É mais um imposto para pagar a estes estupores!

Continua, e a conversa esfuma-se por entre a chuva e o barulho do transito de Lisboa.
É cedo, são 6h00, a cidade começa a acordar. A loja da D. Amélia é a que abre mais cedo em Lisboa, ela acorda com as galinhas, e não consegue ficar em casa, se sabe que os vizinhos gostam do pão quente pela manhã.

Hoje é um dia de silêncio, só ouve as passadas por entre pequenas poças de água que surgem pelos desníveis do passeio...


Voz OFF

Esta Lisboa desnivelada! parece a minha vida! Raios não compares! Corre só! Corre Só! Foca-te! hoje não podes parar de focar-te aqui e agora! Não olhes para trás! Está aqui, só aqui!

Bolas o velho não! O raio do velho do cão, não! Hoje é dia de silêncio!


Aproxima-se a passear um golden retriver preto! O dono, um antigo velho pescador do mar! Barba rija, branca, olhar sereno e autoritário! Forte presença. Homem de poucas palavras!


Voz Off

Bolas já parece que me marca neste registo, passeia o cão na hora em que eu estou a correr! Esta marcação serrada, já cansa! Se o cão correr para mim, é uma boa oportunidade para lhe dar um murro! Não me faz nada, mas desde que comecei a correr ele começou a aparecer! E aquele olhar fixo, sempre a controlar o que faço.


O velho pescador controla a corrida, mantendo o olhar naquele homem de gorro que passa a correr! Todo de preto. o cão vaguea pela erva do jardim vazio, sem as crianças do parque. Simplesmente vazio às 6h00.


Voz Off

Hoje não vamos falar! Hoje não vou falar com ninguém! 

Continua a correr, tenta ignorar o velho pescador! Contudo a sua voz é forte quando o cumprimenta:

- Bom Dia corredor! Hoje corre pela vida! Tão obstinado com mundo! Pare para sentir! Não continue a fugir! 

O Corredor, obriga-se a parar, recebeu um murro direito no estômago! A raiva cresce, e cresce, os olhos irradiam ódio! As lágrimas invadem os olhos, que ficam brilhantes! 

Vira-se para o velho pescador, e começa a avançar com os punhos cerrados! E fala!

- Como ousa falar-me assim? Quem é você, para dizer se estou a fugir? Seu canalha! Quem é você?

- Pelos vistos tenho razão, afinal você parou para me pedir explicações, quando a lógica lhe iria pedir para ignorar!

- Seu canalha! Quem é você?

- A sua consciência! E um amigo também!

- Eu não preciso de você! E pare de me controlar, de ser amigo! Eu não quero ser seu amigo!

- Mas será, a seu tempo! Eu compreendo-o mais do que você gostaria!

O corredor avança para ele! com os punhos cerrados, o velho pescador vira-lhe as costas e continua o seu passeio matinal de levar o cão a rua. 

Os olhos largam uma a uma, as lágrimas, a solidão é grande!

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Cena V

Entra em casa, bate com a porta com violência, entra no wc, e despe-se! Na banheira, de pé começa a esmurrar a parede, as mãos danificadas, lesionadas, cheias de dor, começam a sangrar, a água corre pelo cor, as lágrimas seguem o seu rumo, acompanhando a água e o sangue.

Vai caindo até ficar sentado na banheira debaixo da água a chorar!

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Cena VI

Desce as escadas do metro, parado olha para o Metro a chegar! Tem as mãos ligadas! A camisola de lã de gola alta, ajuda a encobrir!

Entra no metro, senta-se! Olha para a porta e desliga daquele tempo! Volta a 12 anos atrás!
Entram duas pessoas no metro, cada um na sua estação.

Ela levava as partituras do caderno de piano! Algo rudimentar, deveria estar a aprender a tocar piano. o cabelo preto volumoso caia pelas costas, sobre um casaco azul de malha.

Quando ela entrou, nunca mais a deixou de olhar, até sair do metro! Tinha segurança, apesar de sentir que seria o ser mais frágil do mundo! Ficou sempre com essa ideia.


O metro volta a marcha! Ele volta a hoje! E a mente vagueia entre as memórias, de como soube do seu envolvimento e do fim do mesmo!

Desliga e volta semana que depois a viu, com uma camisola vermelha, e com uma trança a cair pelos ombros. Ficaram lado a lado em pé! Ela a mexer no telemóvel, e a ver o blogue! Percebeu naquele momento que ela escrevia! Registou mentalmente o nome! A eternidadedaintemporalidade.blogger

O momento esfuma-se, e ele vê-se no escritório, rodeado por paredes cinzentas num open space. Ninguém falou com ele durante o dia! O escritório estava vazio, quando ele acordou das memórias. Levantou-se, caminhou para sair!

Volta a retomar a consciência em casa, deitado na cama! Sozinho! Lembra-se da primeira vez que visitou o site dela!

Desligou do agora.

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Cena VII

Chove lá fora!
Ela está a chorar! E escreve ao computador! Pelo blogue que comunica com o mundo!
As letras invadem o ecrá, ela chora compulsivamente!

Ouve-se a voz off emocionada:


Os dias passam e a vida vai acontecendo entre os pingos da chuva que cai!

Nos momentos que teimam em demorar, olhamos para o lado e pensamos o que já foi, já foi! Questionamos amizades, ponderamos existências, como se vive com a possibilidade de contacto?

A saudade aperta e raios como aperta! Contudo temos de largar, e neste largar algumas coisas olhamos para a rede, que ensina como esquecer alguém em 3 passos.

A vida é demasiado bizarra:
via http://pt.wikihow.com/Esquecer-Algu%C3%A9m-que-N%C3%A3o-o(a)-Ama
  1. Tirando um tempo para refletir
  2. Começando a esquecer
  3. Terminando de forma limpa

Tirando um tempo para reflectir:
  • Chore, mas chore bastante. 
  • Pense em todas as coisas ruins relacionadas com a pessoa que você amava.
  • Imagine algumas das consequências negativas da sua interação com essa pessoa.
Começando a esquecer
  • Livre-se de tudo que te lembre dela até ter esquecê-la. 
  • Saia de férias. 
  • Tire-a da cabeça. Sair com os amigos, associar-se a um clube (de teatro, escrita criativa, leitura, clubes online etc.) são atitudes que ajudam bastante.
Terminando de forma Limpa
  • Se estiver preparada, tente encontrar um novo amor. 
  • Aprenda com os erros de relacionamentos passados ao procurar alguém especial. 
  • Tenha em mente que o que houve entre vocês foi bom e que tudo tem um fim. 
  • Desista agora de falsas esperanças.

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  • Lembre que não há absolutamente nada de errado com você e se ele/ela não lhe aceitou como você é, então essa pessoa não vale a pena! É difícil pensar nisso, mas é a verdade. Você merece estar com alguém que realmente se importa.
  • Se for preciso, limite todo ou quase todo o contato com a pessoa.
  • Concentre-se no que realmente importa. Não seja obcecada por ele/ela. Lembre-se de que sempre haverá outra pessoa, alguém melhor.
  • Pode ser bom pensar que a vida é melhor sem ter essa pessoa em sua vida, não importa quem ela seja. Não perca muito tempo procurando um novo amor, senão você ficará confusa sobre o que isso significa e se machucará ainda mais. Felicidade, beleza e sexualidade não são amor, são apenas extras.
  • Saiba que existem outras pessoas por aí e que não importa o quanto você amou, o tempo irá curar todas as feridas.
  • Concentre-se em quebrar o ciclo de manipulação. Escute sua consciência. Geralmente sua primeira reação é a coisa certa a fazer.
  • Se ele/ela fizer algo que lhe chateia de alguma forma, talvez ela não seja a pessoa certa.
  • Quando for procurar um novo amor, não limite-se a um só tipo de pessoa. Experimente um pouco. Se suas expectativas ou necessidades forem altas demais, será muito difícil satisfazê-las. Não espere que seu novo amor seja exatamente igual ao antigo, porque é provável que ele não seja. Não procure alguém que se pareça com ele ou pessoas musculosas, que saibam cozinhar ou cantar. Lembrar-se dessas dicas lhe ajudará a encontrar a pessoa certa.
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Contudo tudo isto é deverás estranho, como fazer tudo passo a passo, como andar, como fazer amor, como esquecer alguém que mexeu connosco de uma forma deverás intensa! E até que ponto que tem a percepção de mexeu? Falar, será que vale a pena? Tudo na vida cansa! E a determinado momento é criar condições para esquecer! Afinal a vida é muito mais que alguém que não quer saber de nós, que não responde as mensagens, que diz no discurso parvo e atónico, tu és minha amiga! 

Qual amiga, deixa tudo para estar com o outro? Puxa pelo outro, sempre que surgem as dúvidas, ensina a viver de forma mais equilibrada em determinados momentos? Que vai buscar um mimo? Que leva ingredientes para fazer um jantar ou um almoço? Que partilha porque acredita que uma relação é para estar em pé de igualdade? Qual Amiga que fica horas a espera para que o trabalho de ultima hora seja feito!

Qual amiga, qual quê?
E tudo sempre visto como sendo pouco, como sendo desnecessário, afinal não valia a pena preocupar! eu faço tudo! Esta sensação de individualidade sempre presente, esta não partilha, tão máscula como parva, sem sentido, sem valor! 

Qual amiga, qual quê!
Os amigos não se envolvem, os amigos mandam-te plantar batatas e voltam a rir com uma piada parva do momento! E aquela sensação de se convencer, dito a todos os momentos, Tu és só uma amiga! Pelo que sei, oiço perfeitamente a primeira vez, e oiço a segunda! A terceira, dirás para mim ou dirás para ti? Tentando convencer para lidares com as incertezas, afinal não viveste o período de nojo! Estou farta de ti! Desta paz podre, desta falta de coragem em agarrares a tua vida e lutares por ela! Estou farta de ser colocada a margem de ti, mesmo estando sempre pronta para te apoiar! Estou farta de estar a chorar, e sentir o vazio que se instala! Estou farta de ter de olhar para o telemóvel e nada ver! DOÍ!!!! Sua Besta! DOÍ!!!!!! 

E se tu falasses comigo? Não sei como iria reagir! Merda para ti! Tenho de odiar-te!!!!!

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Entre um choro compulsivo.

Voz OFF Feminina
Não vale a pena enviar! Ele não vai ler! Ele nem sequer se lembra já de mim!
Carrega por engano no publicar!

O choro cessa, entra em choque! E o pc desliga-se e falta a luz!


[fim da cena]
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Poetry Brand New Ancients

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Muxia...


Desde sempre, que é muito tempo, que me considero uma nómada, vivi por norma 2 a 3 anos numa casa. Mudei tantas vezes de casa, que encontrar um local que possa chamar meu, torna-se uma tarefa cada vez mais díficil. 

Contudo a sete anos, quando fiz a minha primeira viagem, a primeira vez que dormi completamente sozinha por minha conta e risco, descobri as minhas raízes! 

Saber que pertencemos a um local ao final de tantas mudanças de casa (17 mudanças registadas), começamos a perceber que estar sempre no mesmo local torna-se cada vez mais difícil, a novidade escasseia. 

Contudo quando conheci Muxia, na Galiza, senti que tinha chegado ao meu destino... Senti verdadeiramente em casa! Como se cada um daqueles recantos fosse conhecido, apesar de só ter conhecido naquele momento!

Ter o nascer do Sol, e o por do Sol, como bênção a cada dia, é mágico!

Sente-se na atmosfera, o local ideal para escrever, para sentir o nevoeiro a falar sobre o escolhido, sobre a conquista do mar, sobre a partida diária para a jorna do mar. 

Senti que naquele local será o local do meu fim, como um velho lobo solitário do mar!

E como Sophia escreveu:

Quando eu morrer, voltarei para buscar os instantes que não vivi junto do mar...