domingo, 28 de fevereiro de 2016

Pelos dias de hoje: Nadal de Luintra



Cara Belén camiña
unha Nena ocupada
fermosa, en canto a ela,
San Xosé a acompaña.

Chegaron a Belén
e pediron pousada,
responderon de adentro
con voz alborotada.

¿Quen chama á miña porta,
quen á porta me chama?
Somos Xosé e María
que pedimos pousada.

Se traen cartos que entren
e senon que se vaian.
Cartos non traerei,
máis que un real de prata.

Isos son poucos cartos,
pídanno noutra parte.
San Xosé xa penaba,
María o consolaba.

Non te apenes Xosé,
non te apenes por nada,
¿qué máis cartos ti queres
que isto que me acompaña?


Caminho da vida






Os dias passam e o caminho entranha-se, o momento de reflexão aproxima-se novamente, novas decisões a serem tomadas, a serem balanceadas, a serem preparadas.

Novos estados, implicam novos projectos, novos desafios, novas memórias! 

E lá preparamos mais um caminho e mais viagens! com mais descobertas!

A vida continua mesmo quando não estamos a espera!


domingo, 21 de fevereiro de 2016

Silêncios



Os silêncios que perduram!



- A vida é feita de acontecimentos, sempre uma reviravolta, sem nunca parar! Ouvimos todos a falar de tudo, e mais alguma coisa...

- E começas tu com todas as tuas filosofias, que interessa isso? 

- Nos dias que passam, não é o barulho das palavras disparadas por uma TV, uma internet que larga cada movimento como sendo uma noticia relativamente importante, quando a banalidade impera... 

- E continuas! Nunca te calas com esses discursos filosóficos, que não levam a lado algum!

- Quando a indiferença reina, resta o silêncio ensurdecedor, de uma não acção que por si só já o é, enquanto o silêncio ocupa o lugar, os corpos param, ficam a espera que tudo aconteça, sem nunca parar...

- O que é o parar tem haver com o resto? Para com tantas palavras sem nexo!

- Os corpos movem-se numa dança silenciosa, esperando um barulho, uma palavra, um som, algo que permita a relação...

- Qual relação? A nossa? A NOSSA?

- Quando o silêncio ocupa o trono, é porque tudo o resto simplesmente acabou...

- Diz, A NOSSA? ESTÁS A FALAR DO QUÊ?

(silêncio)

- FALA! DIZ O QUE QUERES DIZER COM O SILÊNCIO?

(silêncio)

- FALA! NÃO TE CALES! FALA SE TENS CORAGEM!

(silêncio)

- FALAAAAA!

---

Do outro lado da porta...

- Ele está a falar e de momentos começa a gritar! 

- Fala do quê? 

- Do silêncio! Fala como se estivesse lá alguém!

- Ele fala a qualquer hora?

- Não! Começa a falar a partir das 19horas! Porquê?

- Foi a hora que a minha mãe morreu!

 (Espanto)

- A minha mãe falava dos silêncios nas relações, estudou isso pela vida inteira, quarenta anos a estudar o silêncio na relação humana! E lia com regularidade os textos ao meu pai! Eles adoravam conversar sobre tudo, nunca havia silêncios em casa, quando estavam juntos!

- Lamento pela sua perda!

- Eu não perdi, quem perdeu foi ele, ele deixou de a ter para estar a seu lado a falar, a conversar com ele, a debater, a dizer parvoíces, a dizer tudo o que nem sempre faz sentido! Eles estavam sempre um com o outro quando criavam no atelier. Desde que ela partiu, ele não aguenta o silêncio! 

- É a minha primeira vez que fico no turno da noite, nunca o tinha visto assim! Desculpe!

- Nunca me tinham dito que ele continuava a gritar a hora certa! O meu pai foi encontrado a gritar com a minha mãe ao lado, deitada! Já não respirava! Ele só gritava pelo fim do silêncio! Encontraram passado três dias.

- Um amor muito bonito, dos seus pais!

- Sim, na vida.. não na morte! As vezes desejamos assim algo, que nos tire o fôlego, que nos arrebate... Mas nem todos nós temos a mesma sorte, nem o mesmo azar... A loucura tomou o lugar do amor.

- Pelo menos houve um amor!

- A que preço? De uma vida?

- De uma existência mais plena! Mais suportável!

- Suportável? A loucura de um silêncio, que teima em reinar, quando o Amor percorre nas veias! Não consigo imaginar que pudesse ser assim, não assim. A vida faz com que a cada momento o meu pai se afunde... não tenho o meu porto de abrigo, já não a tenho... ela era quem me fazia rir depois de horas a chorar por um desgosto de amor... ela entrava pelo quarto em silêncio, e em silêncio confortava... A nossa relação foi de silêncios, olhares, de partilha de um abraço. O meu pai debatia tudo comigo. Com a minha mãe falávamos... nunca mais voltei a conseguir falar com o meu pai... fechou-se no silêncio, gritando a hora da partida dela!!! Perdi o meu norte!


[Fecha o pano]